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Nas políticas da água, as soluções baseadas em dominar os processos naturais, adotadas durante décadas, mostram sérias limitações, se não mesmo fracassos. A imprescindível adaptação ao cenário de mudança global que temos de enfrentar, obriga a reorientar os objetivos de gestão, assim como os critérios para os alcançar. Tais mudanças de direção requerem também a adoção de medidas diferentes das aplicadas até à data, substituindo-as ou complementando-as.

As chamadas soluções baseadas na natureza (SBN), que aproveitam e reforçam os sistemas naturais para fornecer serviços valiosos, abrangem um leque amplo de medidas de gestão aplicáveis aos diferentes componentes do ciclo da água. Essas SBN podem ter variadíssimas aplicações, tais como: o fornecimento de água, e a sua depuração, a redução do risco de inundação, tanto de origem fluvial como marítima, a adaptação a secas, a redução da poluição agrícola e pecuária, o controle da erosão, a conservação e recuperação de praias, deltas e estuários, ou a minimização do consumo de energia nas diferentes fases do ciclo de aproveitamento da água. Nos últimos anos observou-se um crescimento significativo na aplicação de SBN e outros conceitos relacionados, o que permite avaliar essas soluções quanto à eficácia, custo e benefícios adicionais, assim como no que respeita à sua contribuição na conservação da biodiversidade, na adaptação climática em espaços urbanos e na recuperação da qualidade da paisagem.

A aplicação das SBN acima mencionadas é complementada com a existência de outras abordagens inovadoras, associadas a tecnologias de informação e comunicação, que contribuem igualmente para a necessária mudança de rumo. Esse tipo de tecnologias já está a facilitar o amplo acesso ao conhecimento disponível no que respeita à água e a sua gestão de forma mais eficaz e transparente, por exemplo, para melhorar o acompanhamento dos ecossistemas aquáticos, a gestão da procura ou a capacidade de resposta face a riscos climáticos. Podem também ser muito úteis para alcançar o bom estado dos ecossistemas e o uso mais sustentável da água.

Abordam-se, entre outros, os seguintes temas:

• Soluções baseadas na natureza (SBN), serviços ecossistémicos e o nexo água-energia

• Gestão de territórios fluviais e costeiros

• Medidas naturais de retenção de água e infraestruturas verdes na melhoria da gestão da água e adaptação a riscos climáticos (secas e inundações)

• Restauro de zonas húmidas

• Tecnologias baseadas na natureza para a gestão de águas residuais, especialmente em espaço rural, áreas húmidas artificiais e filtros verdes

• Sistemas urbanos de drenagem sustentável (SUDS)

• Técnicas de captação de água: soluções tradicionais com novas funções?                                                          

• O papel da bioengenharia na reabilitação de ecossistemas fluviais e costeiros degradados

• Tecnologias inovadoras de gestão da informação para o bom estado dos ecossistemas aquáticos e o uso sustentável da água

Palavras-chave: soluções baseadas na natureza, infraestruturas verdes, território fluvial, sistema costeiro, drenagem urbana sustentável, depuração extensiva, tecnologias inovadoras de gestão de informação e comunicação, bioengenharia, reabilitação fluvial, restauro costeiro e fluvial.

 

Coordenadores de área

Tony Herrera, Fundação Nova Cultura da Água

 Jordi Salat, Instituto de Ciencias del Mar –CSIC

Pedro Teiga, Engenho e Rio