A gestão dos recursos hídricos depara-se com uma complexidade crescente sob o impacto de fatores externos imponderáveis. As alterações climáticas originam cada vez mais eventos como cheias e secas extremas, ou incêndios de consequências devastadoras nos territórios afetados. A gestão da água e do território neste contexto de incerteza carecem de uma gestão antecipativa e adaptativa e de planos contingentes e flexíveis capazes de reforçar a resiliência dos sistemas naturais e sociais.

Temos de procurar novas perspetivas de utilização mais efetiva dos recursos disponíveis (incluindo a sua reutilização), assim como de uma maior integração das infraestruturas nos ciclos naturais da água. A garantia de serviços de qualidade nos usos da água não pode continuar a ser feita à custa da sustentabilidade dos ecossistemas e, por isso, a gestão da água tem que incorporar novos conceitos e novas técnicas, a par de um reforço da cidadania e de maior capacitação a todos os níveis: político, social e técnico.

Serão abordadas especialmente as seguintes questões:

  1. Integração da água nas estratégias e planos de adaptação às alterações climáticas.
  2. Integração das alterações climáticas no planeamento hidrológico: cenários e medidas adaptativas.
  3. Efeitos das alterações climáticas: secas e inundações.
  4. Adaptação da agricultura às alterações climáticas.
  5. Melhoria da resiliência urbana face às alterações climáticas.
  6. Soluções "verdes", com base no aumento dos serviços ecossistémicos para lidar com os riscos hidrológicos e climáticos.
  7. Soluções "verdes" na parte do ciclo hidrológico afetado pelos assentamentos humanos: abastecimento, saneamento e tratamento.
  8. Interação água-energia-alimentação: avanços concetuais, metodológicos e analíticos relevantes para a gestão da água.

Coordenadores: Susana Neto, Universidade de Lisboa e Pilar Paneque, Universidad Pablo de Olavide