O congresso oferece duas visitas técnicas diferentes, entre as quais os congressos terão que escolher:

Visita técnica 1Passagem para Peixes do Açude-Ponte de Coimbra, Desassoreamento da Albufeira do Açude-Ponte de Coimbra e Estabilização da margem direita do Rio Mondego entre a Ponte Santa Clara e o Açude-Ponte de Coimbra

[Ponto de encontro: Açude-Ponte de Coimbra; Início: 10:00h; Duração prevista: 3 h]

A Passagem para Peixes do Açude-Ponte de Coimbra, estrutura construída e gerida pela Agência Portuguesa do Ambiente, localiza-se no rio Mondego, junto à cidade de Coimbra. Foi inaugurada no final de 2011 e construída com o objetivo de facilitar a circulação das espécies piscícolas migradoras que ocorre no rio Mondego, contribuindo assim para a conservação das espécies e para a reabilitação de um troço cuja continuidade fluvial estava condicionada devido à existência do Açude. A atual estrutura de Passagem para Peixes (PPPeixes), veio substituir a passagem para peixes original, considerada ineficaz, que datava dos anos oitenta do século XX, data da construção do Açude e de demais obras de regularização do rio, a jusante de Coimbra. Os resultados obtidos até ao momento permitem concluir que a atual PPPeixes de Coimbra é uma infraestrutura multiespecífica, permitindo a travessia de um grande número de espécies. Após dois anos de monitorização contínua da passagem, foi registada a utilização desta infraestrutura por mais de 3.000.000 de peixes.

O assoreamento do rio Mondego, imediatamente a montante do Açude-Ponte de Coimbra, tem sido apontado como uma das causas das inundações urbanas que se têm registado, como sucedeu em janeiro e fevereiro de 2016, episódio que conduziu a avultados prejuízos. Os trabalhos de desassoreamento em curso visam repor o leito do rio em níveis próximos dos registados em 1985, ano da construção do Açude-Ponte de Coimbra. Esta intervenção, a cargo da Câmara Municipal de Coimbra, é decisiva para a qualidade da vida urbana de Coimbra e para a segurança do seu património e dos seus habitantes. Será dragado um volume de 700.000 m3 de areia, numa extensão de rio de 3,5 km, estando previsto o seu reaproveitamento prioritário na reconstrução das margens e em zonas do rio com défice de material sedimentar.

Visita técnica 2Aproveitamento Hidroagrícola do Baixo Mondego, incluindo observação dos sistemas de uso do solo, das obras de regularização fluvial, sistemas de rega e drenagem e infraestruturas hidráulicas no Rio Mondego.

[Máximo 50 participantes. Deslocação em autocarro de 50 lugares ou em 2 autocarros de 25 lugares. Ponto de encontro: Largo da portagem; Início: 9:00h; Duração prevista: 4:30 h]

O rio Mondego é o maior curso de água integralmente português, com um comprimento de 227 km, drenando uma bacia hidrográfica de 6659 km2. O regime hidrológico do rio é extremamente irregular, verificando-se em condições naturais (i.e. sem as obras de regularização) caudais de estiagem inferiores a 1 m3/s e caudais de cheia superiores a 3000 m3/s; esta irregularidade conduziu no passado a situações de escassez de água e a inundações frequentes dos campos marginais ao rio, no seu troço a jusante de Coimbra (Baixo Mondego), com elevados prejuízos.

A agricultura nos campos do Baixo Mondego é secular, com solos de grande potencial produtivo de origem aluvionar, onde a água sempre se mostrou marcante, nas inundações, na deficiente drenagem, na salinização do solo, e no abastecimento para rega para garantir a produtividade da terra. Até à década de oitenta do século XX eram também problemas a fragmentação da estrutura fundiária, a reduzida dimensão das explorações e a predominância de sistemas monoculturais de Primavera-Verão.

As obras do Aproveitamento Hidráulico do Mondego e o Projeto de Desenvolvimento Agrícola do Baixo Mondego, cuja implementação decorreu em grande parte no final da década de setenta e início da década de oitenta do século XX, permitiram solucionar os principais problemas nesta área agrícola, criando as condições básicas para a modernização da agricultura e a melhoria do nível socioeconómico dos agricultores. As obras de regularização fluvial do rio Mondego foram primordiais, permitindo simultaneamente a defesa contra cheias dos campos do Baixo Mondego, a rega e a sua drenagem. O Ministério da Agricultura estabeleceu como objetivo o aumento de 25% da produtividade agrícola em pelo menos 80% da área beneficiada através da implementação de um sistema de rega e drenagem, da restruturação fundiária, do emparcelamento, da modernização da rede viária, da reconversão cultural pela introdução de novas culturas e técnicas, e pela criação de uma associação de beneficiários. As principais culturas agrícolas são o milho, hortícolas e viveiros, a montante, e o arroz, a jusante.